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02-Set-2010
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Porque amanhã vai chegar todo mundo dizendo que você tem de fazer isso, fazer aquilo, como uma chantagem qualquer. E eu não estou habituado a ceder a chantagem
José Alencar, vice Presidente da República
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O Cabo Eleitoral PDF Imprimir E-mail

   
  
Por Carlos Biasoli
  

Até então tudo corria em perfeita ordem. Eram dois amigos ex. militantes do PC, que, tempos atrás, sofreram debaixo do ostensivo punho da ditadura. Atualmente seguiam a vida da maneira mais simples possível.De súbito, a calmaria tornou-se passado.

Atalíbio há vinte anos trabalhava numa indústria automobilística no ABC, morava no bairro Ipiranga em São Paulo, mesmo bairro de Marcondes. “É sempre bom morar perto de um fiel amigo” – pensava Marcondes, que com muito esforço, tinha se formado em prótese dentária e aos trancos conseguiu montar um laboratório especializado em prótese total, aquelas chamadas “pererecas”, dentaduras que ocupam todos os espaços da boca dos pobres desdentados.

Um dia, ao final do turno, Atalíbio recebeu a notícia: estava despedido. “Meu Deus, faz vinte anos que trabalho aqui”, gritava Atalíbio com as mãos na cabeça, “dei minha vida por esta fábrica”, o seu grito se perdia com o som do megafone vindo do carro do sindicato que já havia formado um ato de protesto em frente o portão da fábrica.

 “Dois mil funcionários, duas mil famílias sem salário, sem emprego, mais dois mil nos números alarmantes do aparthaid social criado por esse sistema financeiro que nos tira a soberania nacional, o mesmo sistema acoitado por esse governo que está aí”, vociferava o sindicalista, enquanto os carros novos eram retirados do pátio principal pelo medo de uma revolta maior ou uma ação mais violenta por parte dos, agora, desempregados. “Só sairemos daqui com nossos empregos”, o discurso seguia inflamado.

Já final de tarde, Atalíbio foi-se abatido para casa.

“E agora, como vou dizer à minha esposa?”.

Lúcia, uma balzaquiana, esposa fiel dedicada ao marido e aos filhos: uma menina de dez e um menino de cinco anos, afilhado de Marcondes. Ela só tinha um defeito, e grave, era frígida, nunca tivera um orgasmo em toda a vida.

Chegando na esquina de casa, Atalíbio enxergava somente a ponta de suas botas, Lúcia o esperava no portão.

“Amor, demorou tanto, já estava aflita com sua demora”.

“Lúcia, eu...”.

“Querido...’.

“Lúcia...”.

“Querido, temos visita das boas, compadre Marcondes, e não veio só, trouxe de tiracolo sua noiva, acredita?”

“Noiva?”.

“É, noiva!”.

“Mas não acredito que aquele celibatário vai se casar, que notícia boa, mulher”.

Atalíbio esqueceu-se por um tempo de sua tragédia pessoal e adentrou em casa.

O casal de pombinhos estava debruçado sobre a mesa da cozinha trocando carícias.

“Marcondes, que surpresa agradável! Seis meses não o vejo, que saudade, irmão!”

“Já sabe da boa nova?”, abraçaram-se.

“Já, vai casar!  Nossa, que moça mais linda!”

“E que mulher boazuda foste arrumar”, pensou em silêncio ao ver Judite.

 Judite era uma baiana, e que baiana, daquelas de canela grossa e lábios carnudos.

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COMENTÁRIOS
18-Dez-2007
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Personalidades do blog: Hélio Gracie PDF Imprimir E-mail

1913-2009

Mensagem do Mestre

O Jiu-Jitsu que criei foi para dar chance aos mais fracos enfrentarem os mais pesados e fortes. E fez tanto sucesso, que resolveram fazer um Jiu-Jitsu de competição. Gostaria de deixar claro que sou a favor da prática esportiva e da preparação técnica de qualquer atleta, seja qual for sua especialidade. Além de boa alimentação, controle sexual e da abstenção de hábitos prejudiciais à saude. O problema consiste na criação de um Jiu-Jitsu competitivo com regras, tempo inadequado e que privilegia os mais treinados, fortes e pesados. O objetivo do Jiu-Jitsu é, principalmente, beneficiar os mais fracos, que não tendo dotes físicos são inferiorizados. O meu Jiu-Jitsu é uma arte de autodefesa que não aceita certos regulamentos e tempo determinado. Essas são as razões pelas quais não posso, com minha presença, apoiar espetáculos, cujo efeito retrata um anti Jiu-Jitsu.

— Hélio Gracie, em entrevista à Fightingnews

COMENTÁRIOS
12-Abr-2009
 
UFC 118 Especial PDF Imprimir E-mail

UFC 118 Poster

Resultado e Vídeos da Pesagem

Frankie Edgar (154 lbs) (69kg) vs. B.J. Penn (154 lbs) (69kg) (UFC Lightweight Championship)

Randy Couture (220 lbs) (99kg) vs. James Toney (237 lbs) (107kg)
Kenny Florian (156 lbs) (70kg) vs. Gray Maynard (156 lbs) (70kg)
Nate Diaz (171 lbs) (77kg) vs. Marcus Davis (170 lbs) (77kg)
Demian Maia (184 lbs) (83kg) vs. Mario Miranda (185 lbs) (84kg)
Joe Lauzon (156 lbs) (70kg)vs. Gabe Ruediger (155 lbs) (70kg)
Andre Winner (154 lbs) (69kg) vs. Nik Lentz (155 lbs) (70kg)
Dan Miller (185 lbs) (84kg) vs. John Salter (185 lbs) (84kg)
Nick Osipczak (171 lbs) (77kg) vs. Greg Soto (170 lbs) (77kg)
Mike Pierce (171 lbs) (77kg) vs. Amilcar Alves ( 171lbs) (77kg)
  • Event: UFC 118: Edgar vs. Penn 2
  • Date: August 28, 2010
  • Time: 10PM ET/7PM PT
  • Location: TD Garden, Boston, Massachusetts

    MAIN CARD (Pay-per-view)

    Champ Frankie Edgar vs. B.J. Penn (for lightweight title)
    Randy Couture vs. James Toney
    Kenny Florian vs. Gray Maynard
    Demian Maia vs. Mario Miranda
    Marcus Davis vs. Nate Diaz


    PRELIMINARY CARD (Spike TV)

    Joe Lauzon vs. Gabe Ruediger*

    PRELIMINARY CARD

    Gerald Harris vs. Joe Vedepo*
    Nik Lentz vs. Andre Winner
    Dan Miller vs. John Salter*
    Nick Osipczak vs. Greg Soto
    Amilcar Alves vs. Mike Pierce

  •  Prewie

    Countdown


  • COMENTÁRIOS
    24-Ago-2010
     
    Pesquisas Polêmicas (Ou o vexame do Datafolha) PDF Imprimir E-mail

    Deu no Correio Braziliense

    De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

    Pesquisas nas quais não se pode confiar são um problema. Elas atrapalham o raciocínio. É melhor não ter pesquisa nenhuma que tê-las.

    Ao contrário de elucidar e ajudar a tomada de decisões, confundem. Quem se baseia nelas, embora ache que faz a coisa certa, costuma meter os pés pelas mãos.

    Isso acontece em todas as áreas em que são usadas. Nos estudos de mercado, dá para imaginar o prejuízo que causam? Se uma empresa se baseia em uma pesquisa discutível na hora de fazer um investimento, o custo em que incorre?

    Na aplicação das pesquisas na política, temos o mesmo. Ainda mais nas eleições, onde o tempo corre depressa. Não dá para reparar os erros a que elas conduzem.

    Pense-se o que seria a formulação de uma estratégia de campanha baseada em pesquisas de qualidade duvidosa. Por mais competente que fosse o candidato, por melhores que fossem suas propostas, uma candidatura mal posicionada não iria a lugar nenhum.

    Com a comunicação é igual. Boas pesquisas são um insumo para a definição de linhas de comunicação que aumentam a percepção dos pontos fortes de uma candidatura e que explicam suas deficiências. As incertas podem fazer que um bom candidato se torne um perdedor.

    E na imprensa? Nela, talvez mais que em qualquer outra área, essas pesquisas são danosas. Ao endossá-las, os veículos ficam em posição delicada.

    Neste fim de semana, a Folha de São Paulo divulgou a pesquisa mais recente do Datafolha. Os problemas começaram na manchete, que se utilizava de uma expressão que os bons jornais aposentaram faz tempo: “Dilma dispara...”. “Dispara..”, “afunda...” são exemplos do que não se deve dizer na publicação de pesquisas. São expressões antigas, sensacionalistas.

    Compreende-se, no entanto, a dificuldade do responsável pela primeira página. O que dizer de um resultado como aquele, senão que mostraria uma “disparada”?

    Como explicar que Dilma tivesse crescido 18 pontos em 27 dias, saindo de uma desvantagem para Serra de um ponto, em 23 de julho, para 17 pontos de frente, em 20 de agosto? Que ganhasse 24 milhões de eleitores no período, à taxa de quase um milhão ao dia? Que crescesse 9 pontos em uma semana, entre 12 e 20 de agosto, apenas nela conquistando 12,5 milhões de novos eleitores?

    O jornal explicou a “disparada” com uma hipótese fantasiosa: Dilma cresceu esses 9 pontos pelo “efeito televisão”. Três dias de propaganda eleitoral (nos quais a campanha Dilma teve dois programas e cinco inserções de 30 segundos em horário nobre), nunca teriam esse impacto, por tudo que conhecemos da história política brasileira.

    Aliás, a própria pesquisa mostrou que Dilma tem mais potencial de crescimento entre quem não vê a propaganda eleitoral. Ou seja: a explicação fornecida pelo jornal não explica a “disparada” e ele não sabe a que atribuí-la. Usou a palavra preparando uma saída honrosa para o instituto, absolvendo-o com ela: foi tudo uma “disparada”.

    É impossível explicar a “disparada” pela simples razão de que ela não aconteceu. Dilma só deu saltos espetaculares para quem não tinha conseguido perceber que sua candidatura já havia crescido. Ela já estava bem na frente antes de começar a televisão.

    Mas as pesquisas problemáticas não são danosas apenas por que ensejam explicações inverossímeis. O pior é que elas podem ajudar a cristalizar preconceitos e estereótipos sobre o país que somos e o eleitorado que temos.

    Ao afirmar que houve uma “disparada”, a pesquisa sugere uma volubilidade dos eleitores que só existe para quem acha que 12,5 milhões de pessoas decidiram votar em Dilma de supetão, ao vê-la alguns minutos na televisão. Que não acredita que elas chegaram a essa opção depois de um raciocínio adulto, do qual se pode discordar, mas que se deve respeitar. Que supõe que elas não sabiam o que fazer até aqueles dias e foram tocadas por uma varinha de condão.

    Pesquisas controversas são inconvenientes até por isso: ao procurar legitimá-las, a emenda fica pior que o soneto. Mais fácil é admitir que fossem apenas ruins.


    COMENTÁRIOS
    25-Ago-2010
     
    Um amor sublime do samba PDF Imprimir E-mail

    Essa capa de disco (Cartola - Cartola 1976) é das mais sublimes da música nacional. Ela mostra de forma pueril o amor de Cartola sobre sua companheira, Dona Zica da Mangueira. Um amor tão lindo de um artista tão genuíno e visceral na cultura nacional. O amor de Cartola é cantado em verso em suas músicas, mas nessa capa (qual n sei quem é o fotógrafo para dar o devido crédito), o silêncio e a linguagem corporal deixa evidente o amor cabal e a cumplicidade do casal primeiro do samba.

    Pra terminar essa terça de Carnaval...


    COMENTÁRIOS
    24-Fev-2009
     
    O isolamento PDF Imprimir E-mail

    Muro03.jpg
    The Gift - My Lovely Mirror

    Por Carlos Biasoli

    Sua alma num salto ornamental despencou íngreme até imergir no inconsciente em busca voraz.
                              Há tempos não era o mesmo
    vozes, imagens, sinalizações, ruídos, cores... idéias associativas à tona fulguravam um mundo paralelo.
    Incitando múltiplas particularidades de uma personalidade destoada da realidade,
         “minha
    infância
         era
                                                  repleta!”
    Seu silêncio constante era a edificação do seu castelo (autodefesa), até o último tijolo ter sido posto havia esperança de se encontrar; recompor-se, talvez?!
    Com a construção solidificada, renegando a multiplicidade, isolou-se por completo do mundo exterior em silêncio absoluto e
                                                       eterno.

    COMENTÁRIOS
    24-Ago-2008
     
    A analise política e a torcida PDF Imprimir E-mail

    A análise política durante uma campanha eleitoral é facilmente contaminada pelo erro recorrente da repetição, escrever obviedades é mato na imprensa, alguns articulistas nem se ruborizam quando são atropelados pelos fatos, narram a morte da bezerra no presente como se abrissem as portas do futuro se esquecendo do que escreveram e defenderam no passado.

    Porém, o túmulo do analista político é enveredar pelo caminho do torcedor, deixar-se envenenar pela paixão política se tornou comum na mídia nacional.

    Quando meses atrás, propriamente em janeiro, apontei nesse espaço que a candidata do governo estaria de 10 a 15 pontos de diferença na corrida presidencial, já na primeira semana de campanha eleitoral em rádio e tevê, quando o desconhecimento cairia a praticamente zero, eu apontava uma tendência. Modéstia a parte, para se fazer justiça a esse escriba e a esse espaço, essa coluna era a única na imprensa local a apontar tal resultado. Em linhas gerais, o que se leu em outros cantos foi perfumaria.

    Todavia, ninguém é dono da verdade, mas a chance de errar menos na análise política é observar mais as tendências ao invés dos números brutos, estudar os números nas entrelinhas do que aqueles que aparecem em gráficos apresentados pelo apresentador de tevê é sempre mais prudente e o caminho menos tortuoso. 

    Nas tabulações da época, já era apontado fortemente a tendência do eleitor em votar no candidato da situação conforme conhecimento. Na ocasião alguns eleitores de situação louvaram minha análise como um manifesto a favor da candidatura governista, outros, os oposicionistas, diferentemente, chegaram a me destratar como “mais um vendido” e coisas do tipo. Nem uma coisa nem outra, pois, dispenso tanto aplausos quanto vaias que bebem na água do extremo. Como sabem não faço torcida muito menos jogo pra torcida, meu compromisso é com meu umbigo.

    Análise política não é ciência exata. Mas, alguns números ao vento como os econômicos (a economia crescerá esse ano, 7%, aumentando a sensação de bem estar) e o índice pífio de rejeição do governo (4% segundo última pesquisa IBOPE) fazem crescer a suposição de vitória no primeiro turno da candidata do governo.

    Enfim, o mais responsável para não se perder a credibilidade quando se analisa o futuro é não perder a capacidade de isenção de analisar as tendências. Muitas vezes a grita na imprensa é o agora, quase sempre muito distante da realidade do dia da decisão.

    A única verdade é que eleição é eleição, tudo é decidido no dia de colocar o voto na urna. Contudo, se o (e)leitor tivesse uma memória melhor, seria o fim de muitos palpiteiros que hoje são absortos de certa credibilidade na mídia local e nacional.


    COMENTÁRIOS
    18-Ago-2010
     
    As diferenças econômicas dos Governos PDF Imprimir E-mail

    Por Carlos Biasoli

    www.blogdobiasoli.com.br 

                Há uma confusão em análises políticas econômicas recentes na grande mídia e uma das funções do grande debate é recorrer aos fatos, pois dizem que “contra os fatos não há argumentos”. No entanto, no Brasil, principalmente dos anos 80 pra cá, ficamos com sensação enganosa de que a chancela de uma determinada política econômica depende de planos mirabolantes como os Planos Cruzado, Verão, Collor, Real e etc.

    Em outros países aonde a estabilidade econômica é a mais tempo presente na vida do cidadão, as mudanças e estilos de governar são diferenciados com mais facilidade, pois não se espera sobressaltos e sim ações de ajuste.

    Quando então no impedimento do Presidente Collor, assumiu o Presidente mineiro Itamar Franco, qual a História ainda lhe dará o devido valor; coube ao então Ministro da Fazenda do seu Governo, Fernando Henrique Cardoso, a implantação do Plano Real, iniciado oficialmente em fevereiro de 1994, programa então idealizado pelo economista Edmar Bacha e seus pares.

    O plano foi um sucesso imediato e FHC saiu do governo em seguida, em março daquele ano – a pasta teve mais dois ministros no Governo Itamar, Rubens Ricupero e Ciro Gomes –, para ser o candidato natural a sucessão. FHC foi aclamado e eleito em primeiro turno em cima da esperança do povo, pois era visto como o responsável pela estabilização da moeda.

    O Governo Itamar com o Real havia proporcionado um surto de crescimento estável no Brasil, depois de anos, havíamos crescido mais de 5% ao ano, com equilíbrio fiscal, nossa carga tributária ainda era em torno de 27% do PIB, nossas reservas eram de $40bi e o mais importante, nossa dívida líquida passava um pouco de 30% do PIB.

    FHC assumiu com esse auspicioso cenário, nadou de braçada e se reelegeu. Todavia, foi no primeiro mandato, independente das crises mundiais, que esqueceu a responsabilidade do equilíbrio das contas públicas, ampliando a dívida PIB para 50%, além de aumentar drasticamente a carga tributária. E as despesas, hoje tão resmungadas pela mídia e pelo tucanato, implodiram devastando o superávit primário. Pior, para manter a reeleição (emenda constitucional votada pelo Congresso, em meio às suspeitas de pagamento de propina a parlamentares) segurou o câmbio fixo até o fim do seu primeiro mandato. Ou seja, FHC promoveu a farra do boi fiscal nos seus primeiros quatro anos acumulando um déficit primário na casa dos $100bi!

    Enfim, o câmbio implodiu no peito do consumidor brasileiro, quebramos e fomos ao FMI com o pirex na mão para um socorro de $40Bi. No fim dos dois mandatos Fernadinos, sendo que o sarrafo do segundo mandato ficou em cima do setor privado, a carga tributária foi entregue em 36% do PIB, a dívida líquida/PIB chegou a quase 60%, nossas reservas ficaram reduzidas em $17Bi, a inflação passou os dois dígitos e nosso histórico de crescimento foi desolador (somado ao racionamento de energia na crise do Apagão em 2001, aonde parte do empresariado nacional deixou de investir com medo da falta de energia), no último ano crescemos 2%, entre outros números.

    Uma das grandes conquistas “reais” no governo tucano foi a (LRF) Lei de Responsabilidade Fiscal e o PROER (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional), qual o PT foi radicalmente contra, a ampliação da abertura do mercado nacional, também o processo de privatização, com ressalvas enormes de erros e acertos.

    O Presidente Lula assumiu em 2003 com um Mercado nervoso e levou a culpa por um tal “efeito Lula”. Eu até já escrevi sobre isso nesse espaço. “Todavia, ainda sobre o “efeito Lula”, repassando a História na parte externa, um mês antes das eleições o Mercado atravessava uma mínima histórica no preço das commodities, os custos dos juros americanos para o crédito eram do nível mais alto e todas as bolsas do mundo estavam em baixa. É demais pensar que Lula havia montado essa arapuca mundial!”.

    No entanto, a cartilha macroeconômica seguida por Lula, passa ao largo de ser um ideal tucano, na verdade, foi uma exigência do FMI no nosso último empréstimo, dos três da Era FHC, ou seja, equilíbrio das contas públicas e conseqüentemente ampliação do superávit primário (receitas menos despesas do país, excluindo os juros) e câmbio flutuante.

    Ao bem da verdade, Lula surfou no aumento dos preços das commodities, porém, além de manter os segmentos de uma economia estável (sua inflação foi 37% menor da de FHC), mesmo insistindo num câmbio errado, ampliou o microcrédito, valorizou o salário mínimo e, consequentemente, o mercado interno. O que foi nossa salvaguarda em meio a maior crise econômica mundial desde 1929, diga-se.

    Outro ponto a ser abordado no futuro foi a reorganização e ampliação dos programas de transferência de renda (chamados pejorativamente de “esmola” por grande parte da mídia), que irrigou bolsões de pobreza e a economia nos anos Lula. Para tanto, basta se debruçar sobre estudo do IPEA que aponta os mais de 20mi de brasileiros que, entre 2003 e 2008, subiram das classes D e E para C.

    Num estudo recente repercutido pelo jornalista José Paulo Kupfer (Estadão), os números multiplicadores do Bolsa Família são impressionantes, escreveu: “A conclusão do trabalho é que, o acréscimo no valor dos benefícios pagos, entre 2005 e 2006, de RS 1,8 bilhão, resultou num crescimento adicional do PIB, no período, de R$ 43,1 bilhões. Resultou também em receitas tributárias adicionais de R$ 12,6 bilhões (Estadão 16.10.09).

    Por fim, no pico da crise ainda em 2008, a postura do ex- torneiro mecânico que se tornou Presidente da República ratificou ainda mais as diferenças de governar, Lula surgiu na tevê incitando a sua gente a gastar mais e, em português simplório, falou da aquisição de carros, geladeiras, aparelhos domésticos e etc., ao mesmo tempo em que reduziu os impostos em setores estratégicos, manteve a política de aumento de salários, ampliou substancialmente o poder de empréstimo dos bancos públicos, como CEF, BB e BNDES e também insistiu  no aumento de investimento das Estatais.

    Por isso, declaração recente do presidente do tucanato, Sérgio Guerra, para a revista “Veja”, na qual afirma categoricamente que haverá mudanças drásticas na política econômica, suscita dúvidas e não contribui ao debate premente.

    A herança maldita de Lula será o nó do déficit externo de 2010, que pode chegar a ser o maior da década. Enfim, dois partidos e dois projetos distintos.


    COMENTÁRIOS
    20-Jan-2010
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    Anderson Silva: UFC 117 Post-Fight interview PDF Imprimir E-mail
    08-Ago-2010
     
    Anderson finaliza Sonnem UFC 117 PDF Imprimir E-mail
    08-Ago-2010
     
    David Bowie e Nine Inch Nails interpretam "Hurt" PDF Imprimir E-mail

    Alguns pensam q essa música é do Johnny Cash, q a gravou em 2002, tornando-se o seu último sucesso antes de sua morte.

    Bowie e NIN são duas coisas que realmente respeito

    David Bowie and NIN: "Hurt" from video on Vimeo.


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    08-Ago-2010
     
    Eleição, a Boca do Jacaré PDF Imprimir E-mail

    Desde meados do ano passado que a oposição, especificamente, o candidato José Serra (PSDB), vêem tentando achar o melhor discurso para a sucessão presidencial, o que não é fácil por diversos motivos. Entre os mais difíceis a superar é a sensação de bem estar, por dois fatores importantes, um haver com a economia que crescerá esse ano, segundo estimativas, 7% (é a economia, estúpido!), outro, a figura do presidente qual somado a seu discurso otimista com a sua biografia, eleva a auto-estima do brasileiro mais simples.

    Os petistas se deleitam com a desdita tucana em não achar o ponto certo contra o governo. Aécio (PSDB) aventou o pós-Lula quando ainda não pensava na candidatura ao Senado por Minas, mas esse discurso nunca passou de retórica.

    Serra, no primeiro momento, buscou o silêncio para evitar o embate antecipado assim como era o desejo de Lula. Isso criou a leitura qual o candidato tucano titubeou em grande parte da campanha até aqui. Em parte essa leitura pode ser correta, mas não como um todo.

    Serra agiu certo em não enfrentar um governante qual seu índice de popularidade bate as tampas de 80%. Na visão da oposição, antecipar a eleição seria puxar para a arena, Lula, o campeão de votos e qual nada pega contra ele, em vez de Dilma, a candidata.

    Na teoria foi certo esperar por Dilma, a neófita em sufrágios. Outra vez, em parte a leitura pode ser correta, mas não como um todo. Pois, em cima do silêncio tucano, Dilma cresceu no vácuo conforme o eleitorado a reconheceu como candidata de Lula.

    E, para os que criticam a inapetência tucana de achar o discurso certo no ponto certo, digo que se esquecem que o PSDB controla até então os dois maiores colégios eleitorais e governaram o país por oito anos. Ou seja, nessa história só tem profissional, de ambos os lados.

    Porém, como fazer o discurso pós Lula?

    Mesmo os que defendiam que essa eleição seria mais fácil, pois, seria a primeira pós redemocratização qual não teremos esse nome tão forte na cédula, já reconhecem o erro da leitura da “ausência” de Lula. Pelo contra’rio, na verdade Lula estará presente a todo instante, principalmente no horário eleitoral gratuito.

    Aí é o ‘mato sem cachorro” da oposição. Os discursos foram variados sem conexão com o clamor popular, por um instante chegaram a desmontar o discurso do Serra do continuísmo, através do candidato a vice, agindo como pau mandado, a oposição requentou o discurso do medo de 2006: “Chavez, Farcs, Bolívia e etc”.

    No entanto, a oposição aposta sua bala de prata nos debates, hoje produtos enfadonhos e enquadrados, produzidos de uma maneira que os candidatos não se enfrentem num confronto de idéias com intuito de ganhar o eleitor, todavia, os debates sob a mão pesada dos marqueteiros são feitos para que seus candidatos batam o ponto e não saiam perdendo.

    O tempo vai passando e como apontado meses atrás por esse escriba, depois de analisados números internos das pesquisas, não obstante o cruzamento de dados conhecimento vs intenção de voto vs rejeição, Dilma Rousseff (PT) vai caminhando para uma margem de 10 a 15 pontos de frente já na primeira semana de horário eleitoral gratuito, qual terá 40% a mais de tempo de tevê.

    Com tudo isso, tempo de tevê superior, cabo eleitoral de grandeza, economia em velocidade de cruzeiro, só resta ao tucanato rezar, pois no jargão político, a boca do jacaré abriu.


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    06-Ago-2010
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    As pesquisas públicas PDF Imprimir E-mail

    Deu no Correio Braziliense

    De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

    Quando escrevem sobre pesquisas, alguns jornalistas mostram não conhecer bem o papel que elas têm hoje nas campanhas políticas. Curioso é que mesmo profissionais tarimbados costumam revelar esse desconhecimento e não apenas os jovens repórteres no início de carreira.

    Em momentos iguais a este, de aproximação das eleições, veem-se exemplos disso a toda hora. Como saem pesquisas com muita frequência, a imprensa está sempre cheia de matérias que as citam, nas quais se percebe a desinformação de seus autores sobre o que acontece no quartel-general das candidaturas.

    Não são todas as campanhas que conseguem, mas todas que podem montam sistemas de acompanhamento dos humores do eleitorado através de pesquisas. À medida que aumenta a importância do cargo em disputa e sobe a capacidade de arrecadação, maior é o arsenal de pesquisas próprias que mandam realizar, para uso de coordenadores e estrategistas.

    Faz tempo que as pesquisas quantitativas de intenção de voto se tornaram apenas o pedaço visível desses projetos, pois eles envolvem inúmeros outros levantamentos cujos resultados não são divulgados ou comentados. Ou seja: o que se vê é somente a ponta de um iceberg, cuja parte maior permanece submersa.

    No mundo real das campanhas, grande destaque é dado às pesquisas qualitativas, indispensáveis à formulação de estratégias de comunicação. São elas que permitem entender as razões e motivos dos eleitores, por que preferem um candidato em detrimento de outros, o que esperam da eleição, o que não sabem e gostariam de saber dos candidatos. Os marqueteiros costumam olhá-las com mais interesse que os resultados das quantitativas, cujo objetivo é medir quantos pensam de uma maneira ou de outra, bem como identificar que variações existem entre os segmentos (socioeconômicos ou geográficos) do eleitorado.

    As campanhas de Serra e de Dilma estão fazendo pesquisas desde muito antes do lançamento oficial das candidaturas. Seus partidos têm o hábito de pesquisar, possuem institutos que tradicionalmente lhes prestam serviços e contam com especialistas, internos e de fora de seus quadros, para assessorá-los em sua análise. A esta altura do processo eleitoral, já fizeram alguns (muitos) milhares de entrevistas e (várias) dezenas de discussões em grupo, a técnica qualitativa mais empregada. Ambos têm em mãos longas séries de pesquisas em todo o país, estado por estado, sempre usando questionários mais elaborados e detalhados que aqueles que se veem na imprensa. De agora em diante, na reta final, essa massa de dados vai aumentar exponencialmente.

    Além da parafernália de pesquisas próprias, as duas campanhas têm acesso a dezenas de outras, feitas por correligionários e aliados nos estados, por entidades de classe e empresas do setor privado. Não deve haver um só dia em que não chegue aos comitês uma pesquisa nova.

    Faz algum sentido imaginar que campanhas assim organizadas e tão bem abastecidas tenham que esperar a divulgação de pesquisas públicas para tomar qualquer decisão relevante? Que as equipes de Serra e Dilma fiquem roendo as unhas na frente da televisão para saber quem está na frente e quem atrás? Que só resolvam o que vão fazer depois de ler no jornal o que disse uma pesquisa?

    Pelo que escrevem alguns jornalistas, pareceria que sim. Seus textos dizem coisas como “antes da pesquisa do Ibope, Serra ia fazer....”, “agora com o Datafolha, Dilma decidiu....”, o que equivale a supor que os candidatos foram inteirados de algo pela imprensa. Que o vasto investimento de suas campanhas em pesquisas próprias é inútil, pois o que contaria seriam as pesquisas hípicas (as que mostram quais cavalinhos estão na frente) que todos conhecem.

    Nas disputas eleitorais, as pesquisas publicadas são irrelevantes como instrumentos de informação estratégica, pois as campanhas grandes (e seus apoiadores) sabem muitíssimo mais que aquilo que chega à imprensa e ao cidadão comum. O que não quer dizer que sejam irrelevantes na guerra da comunicação, pois estar publicamente na frente é melhor que estar atrás e isso pode trazer diversas vantagens a quem lidera.


    COMENTÁRIOS
    04-Ago-2010
     
    Lula da aula de diplomacia em Uribe PDF Imprimir E-mail
    03-Ago-2010
     
    Vídeo da cirurgia do Wanderlei Silva PDF Imprimir E-mail

    Emoção pura!!!

     


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    03-Ago-2010
     
    Entrevista PVT Anderson Silva PDF Imprimir E-mail
    03-Ago-2010
     
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